quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015



Combater este silêncio não é fácil...


A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) é uma instituição particular de solidariedade social, pessoa coletiva de utilidade pública, que tem como objetivo estatutário promover e contribuir para a informação, proteção e apoio aos cidadãos vítimas de infrações penais.
É, em suma, uma organização sem fins lucrativos e de voluntariado, que apoia, de forma individualizada, qualificada e humanizada, vítimas de crimes, através da prestação de serviços gratuitos e confidenciais.
Fundada em 25 de Junho de 1990, é uma instituição de âmbito nacional, localizando-se a sua sede em Lisboa.
Para a realização do seu objetivo, a APAV propõe-se, nomeadamente:

» Promover a proteção e o apoio a vítimas de infrações penais, em particular às mais carenciadas, designadamente através da informação, do atendimento personalizado e encaminhamento, do apoio moral, social, jurídico, psicológico e económico;

» Colaborar com as competentes entidades da administração da justiça, polícias, de segurança social, da saúde, bem como as autarquias locais, regiões autónomas e outras entidades públicas ou particulares de infrações penais e respetivas famílias;

» Incentivar e promover a solidariedade social, designadamente através da formação e gestão de redes de cooperadores voluntários e do mecenato social, bem como da mediação vítima-infrator e outras práticas de justiça restaurativa;

» Fomentar e patrocinar a realização de investigação e estudos sobre os problemas da vítima, para a mais adequada satisfação dos seus interesses;

» Promover e participar em programas, projetos e ações de informação e sensibilização da opinião pública;

» Contribuir para a adoção de medidas legislativas, regulamentares e administrativas, facilitadoras da defesa, proteção e apoio à vítima de infrações penais, com vista à prevenção dos riscos de vitimização e atenuação dos seus efeitos;

» Estabelecer contactos com organismos internacionais e colaborar com entidades que em outros países prosseguem fins análogos.



VISÃO
A APAV acredita e trabalha para que em Portugal o estatuto da vítima de crime seja plenamente reconhecido, valorizado e efetivo.

MISSÃO
Apoiar as vítimas de crime, suas famílias e amigos, prestando-lhes serviços de qualidade, gratuitos e confidenciais e contribuir para o aperfeiçoamento das políticas públicas, sociais e privadas centradas no estatuto da vítima.


TESTEMUNHOS DE VOLUNTÁRIOS

“Os motivos que me levaram a procurar o voluntariado na APAV foram a necessidade de sentir que estava a ajudar e a contribuir de forma positiva e activa para a sociedade, ao mesmo tempo que vou adquirindo experiência na minha área profissional, permitindo-me evoluir e desenvolver-me como psicólogo.
Foi com grande satisfação que encontrei na APAV uma equipa que partilha desses sentimentos e ideais e a oportunidade de contribuir para a resolução de muitas situações complicadas que, de outra forma, não teriam atenção e auxílio. O trabalho que a APAV desenvolve próximo dos seus utentes, as vítimas de crime, é de importância extrema, pois na maior parte dos casos surge como a única entidade ou organismo a prestar auxílio a estas pessoas numa altura de necessidade.
É também com enorme satisfação que vemos os nossos utentes a reconstruir as suas vidas, a criar um novo projecto de vida, um projecto que não inclui vitimação, mas sim bem-estar, auto-realização, motivação, e uma grande vontade de vencer e ser feliz.
O voluntariado na APAV fez com que eu evoluísse, tanto como ser humano como profissional, e o trabalho dos voluntários, no dia a dia, é a força da instituição, e é o que permite à mesma chegar aos seus utentes, marcar a diferença e mudar vidas para melhor.”

Pedro Machado 
25 Anos
Psicólogo
Voluntário no Gabinete de Apoio à Vítima do Porto

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“Tendo acabado a licenciatura em Educação Social recentemente decidi, ainda no decurso formativo, escolher uma instituição para me oferecer como voluntário visando obter uma experiência profissionalizante que me oferecesse novos conhecimentos, enriquecesse o meu currículo e satisfizesse a minha necessidade de altruísmo. Encontrei na APAV uma instituição que, para o seu funcionamento, aposta fortemente num sistema de voluntariado onde a organização, formação contínua e responsabilização do voluntário são estratégias presentes. Confesso que, num primeiro momento, foi esta filosofia da APAV que mais pesou na minha escolha.
A minha experiência tem sido, a vários níveis, bastante gratificante. Encontrei no Gabinete de Apoio à Vítima de Santarém uma equipa entusiasmada onde a partilha de conhecimentos se faz de uma forma aberta e enriquecedora.
Ao longo deste tempo, despertei para a causa da APAV. Presenciei testemunhos impressionantes nos atendimentos feitos. Histórias de vidas dilaceradas, como por exemplo na violência doméstica, que mostram que o ser humano pode, mesmo quando tudo parece desfeito e perdido, reiniciar, levantar-se, reinventar-se e reconstruir uma nova vida tão ou mais bela que aquela que já teve.
A vontade das vítimas de porem cobro a sua história de vitimação é condição sine qua non. Contudo, o contributo dos técnicos é fundamental nestes processos pois parte deles, por vezes, o impulso para o desencadear da vontade de mudança das vítimas e/ou denuncia dos casos. Os Técnicos de Apoio à Vítima oferecem às vítimas o apoio psicológico, jurídico e social essencial para minimizarem o sentimento de insegurança que uma vítima de crime sente. Na APAV o voluntário sente-se responsabilizado e, por isso, valorizado.”

Nuno Godinho e Cunha 
30 Anos
Técnico Superior de Educação Social
Voluntário no Gabinete de Apoio à Vítima de Santarém

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“Quando procurei a APAV para exercer voluntariado, sabia de antemão que não seria uma tarefa fácil, uma vez que o apoio à vítima de crime contempla algumas especificidades a nível profissional e também pessoal. Trabalhar nesta instituição não é ficar circunscrito à nossa área de formação, é conseguir dar respostas de cariz multidisciplinar às necessidades de cada utente. Foi esta vertente que me entusiasmou a constituir-me como voluntário desta instituição e gratificação pessoal que obtenho retiro-a sempre que podemos efectivamente corresponder às expectativas dos utentes que nos procuram. Paralelamente, o ambiente de partilha e de camaradagem que se estabelece entre os Técnicos de Apoio à Vítima é também uma mais-valia no desempenho da minha função. Funcionamos como uma rede coesa onde todos os esforços confluem em nome do superior interesse da vítima de crime.
O silêncio é o grande cúmplice da vitimação. Muitas vezes, é um silêncio que anda de mão dada com o medo e com a vergonha. Os voluntários são uma força importante nos Gabinetes de Apoio à Vítima. O voluntariado nesta instituição é um trabalho enriquecedor e desafiador a vários níveis, onde cada história toca de diferentes maneiras e a gratificação retira-se de cada pequena vitória, do quebrar das barreiras intransponíveis do silêncio, de cada história partilhada e das diligências efectuadas para apoiar os nossos utentes. Porque esperas? Está ao alcance de cada um fazer algo.”

Mário Veloso 
23 Anos
Psicólogo
Voluntário no Gabinete de Apoio à Vítima de Coimbra


(toda a informação foi retirada do site da associação www.apav.pt)

domingo, 4 de janeiro de 2015

No mês de Janeiro lê-se em Braille

   A Historia da Acapo
A ACAPO, Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal, é uma Instituição Particular de Solidariedade Social, fundada a 20 de Outubro de1989 por fusão da Associação de Cegos Louis Braille, a Liga de Cegos João de Deus e a Associação de Cegos do Norte de Portugal.
A génese do movimento associativo de pessoas cegas
No fim do século XIX, aparece em Portugal o movimento associativo entre pessoas deficientes visuais. A Associação Promotora do Ensino dos Cegos (APEC) existe desde 12 de Março de 1888, data em que foi inaugurada. Situada inicialmente em Pedrouços, depois de ter funcionado por alguns anos junto às Janelas Verdes, ficou instalada, num edifício próprio, em Campo de Ourique. Em 1912 tomou por patrono António Feliciano Castilho, escritor cego. A APEC é hoje, por essa razão, também denominada Instituto Feliciano Castilho. No entanto, podemos ir muito mais longe na História. Em vários registos encontramos a referência “dos cegos papelistas“, que eram membros de uma irmandade de cegos, intitulada, Irmandade do Menino Jesus dos Homens Cegos. A Irmandade, criada em 1749, estava ligada à paróquia de S. Jorge, em Lisboa, e usufruía de privilégios reais, pois só os seus membros podiam apregoar e vender pelas ruas papéis, impressões, gazetas, folhinhas... (Tengarrinha, 1965:43). Argumenta-se que esta associação criava repetidamente, já naquela época, guerra de interesses entre livreiros, que se queixavam de prejuízos causados pelo protecionismo régio dispensado à Irmandade.
Segundo Joaquim Guerrinha (1913-1976) existiu uma associação de cegos, também fundada em Lisboa, no século XVI, que se dedicava a defender os interesses dos que se dedicavam à venda "de diversos artigos de quinquilharias e bijutarias". Esta afirmação é feita pelo próprio no seu livro "Monografia para a História Geral da Associação de Beneficência Luís Braille desde a sua Fundação". No entanto, não se conhecem mais registos ou pormenores sobre o tema. De destacar que Joaquim Guerrinha ficou cego aos 18 meses de idade devido a uma conjuntivite grave. Com 7 anos ingressa no Instituto de Cegos Branco Rodrigues. É aqui que frequenta a escola regular e ao mesmo tempo estuda música (piano) no Conservatório. O gosto pela música fê-lo terminar o curso no Conservatório com a ilustre nota de 19 valores. Desde aí trabalhou como músico em vários estabelecimentos. Paralelamente à carreira artística ele começa a intervir com crescente determinação na vida associativa e na luta pelo reconhecimento e dignidade dos direitos dos cegos. É no ano de 1941 que entra para a Direção da Associação Louis Braille. Em 1951 participa na fundação da Liga de Cegos João de Deus.
No entanto foi no princípio do séc. XX e à semelhança do que acontecia um pouco por toda a Europa, consequência da 1ª Guerra Mundial (1914-1918), um grupo de cidadãos deficientes visuais portugueses constatou a necessidade de se organizar e aglutinar para reivindicar melhores condições de vida. Foi o que fizeram Estêvão Pereira Guimarães, António Gomes Porto e Manuel Rocha, dando origem, a 25 de Julho de 1927 à Associação de Cegos Louís Braille, ACLB, primeira associação organizada para deficientes em Portugal. Tinha como lema «auxílio aos trabalhadores cegos – propaganda da habilitação profissional dos cegos». Em 1951, surge a Liga de Cegos João de Deus, criada por uma cisão interna que dividiu a opinião dos associados da Louis Braille. Não podemos deixar de aqui referir que foi esta Associação que encetou pela primeira vez contactos com congéneres internacionais.
A 10 de Janeiro de 1958, quando a Liga de Cegos João de Deus tinha apenas sete anos de existência e a ACLB já tinha ultrapassado os 30, foi criada a Associação de Cegos do Norte de Portugal (ACNP), a fim de proporcionar aos cegos da região do Porto condições para a abordagem e discussão dos seus problemas específicos. Apesar de ter sido a última das associações de cegos a ser constituída, foi a primeira, em 1974, a ter uma Direção presidida por um associado cego.
Mais tarde, no princípio dos anos 80, mais precisamente a 24 de Julho de 1980, surgiu em Portugal a Associação Promotora de Emprego de Deficientes Visuais, APEDV.
O aparecimento da ACAPO
Em finais da década de 80, verificando-se a existência de várias organizações a trabalharem para o mesmo grupo alvo – a população deficiente visual  – e em tudo similares quanto a objetivos e atividades, os deficientes visuais portugueses iniciaram um longo e inovador processo no sentido da criação de uma única Instituição, de âmbito nacional, procurando através da rentabilização de sinergias e da convergência de recursos financeiros, humanos e físicos, aumentar e melhorar a intervenção que vinha sendo desenvolvida.
Assim, a 5 de Novembro de 1988, a Associação de Cegos “Luís Braille“ faz uma proposta de unificação das Associações de Cegos Portuguesas. Em consequência da proposta, três das principais e mais antigas Instituições portuguesas de deficientes visuais, a ACLB, LCJD e ACNP, fundiram-se, dando origem a 20 de Outubro de 1989 à Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal. Uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) com características únicas no movimento associativo de deficientes em Portugal, tanto ao nível da sua estrutura organizacional, como nos fins e atividades desenvolvidas.

Missão
Defender, representar e promover o empowerment dos deficientes visuais portugueses, a nível nacional e internacional, garantindo a sua plena participação e exercício da cidadania, através de uma intervenção especializada em todo o território nacional e de uma consistente atuação internacional.
Visão
- Mantermo-nos como a instituição de referência na área da deficiência visual em Portugal.
- Constituirmo-nos como os interlocutores e parceiros por excelência do Estado, para o desenho e operacionalização das políticas e medidas para as pessoas com deficiência visual.
- Assumirmo-nos como os principais parceiros chave das comunidades locais e dos seus agentes em prol da inclusão das pessoas com deficiência visual.

Contato:
Direção Nacional

Av. D. Carlos I, n.º 126  9.º andar
Lisboa
1200-651Lisboa
Portugal

21 324 45 00
21 324 45 01



(informação do site da instituição)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

APS – Associação Portuguesa de Surdos



A Associação Portuguesa de Surdos (APS), é a associação de surdos mais antiga do país. É uma Instituição Particular de Solidariedade Social sem fins lucrativos, de âmbito nacional. Ao longo dos anos, esteve na origem de diversas associações de surdos, através das suas antigas delegações regionais, como é o caso da Associação de Surdos do Porto, da Associação de Surdos do Barreiro, da Associação de Surdos da Alta Estremadura, da Associação Cultural de Surdos de Coimbra. Assim como impulsionou a criação da Federação Portuguesa das Associações de Surdos, do Centro de Jovens Surdos e da Liga Portuguesa de Desporto para Surdos. A APS foi pioneira na formação em Língua Gestual Portuguesa (LGP) tanto para a sociedade em geral, como para a profissionalização de formadores surdos e de intérpretes. Além disso, desde cedo, investiu na educação bilingue de surdos adultos, tanto na antiga escolarização, como atualmente nas novas tecnologias e noutras áreas profissionais.
A APS é ainda uma referência nacional na representação política dos direitos dos surdos, estando na origem de leis como o reconhecimento constitucional da LGP, em 1997, a formalização da educação bilingue, em 1998, e mais tarde a melhoria desta mesma educação, em 2008. Foi também responsável pela introdução do serviço de intérpretes na televisão e na justiça.

1-      Quais são as principais atividades da associação?
Formação em língua gestual portuguesa, formação profissional contínua para surdos, desenvolvimento de atividades para seniores surdos e para famílias com membros surdos e atividades desportivas e culturais para surdos.

2-      Qual é a maior dificuldade que encontra?
Financiamento para desenvolver as atividades.

3-      Havendo cerca de 30 000 surdos falantes nativos (LGP), quais são as maiores dificuldades que eles encontram no dia a dia?
Direito a interpretação em língua gestual portuguesa, sobretudo na área da saúde e nos demais serviços públicos; acesso à informação na televisão, seja através de legendagem ou de interpretação em língua gestual portuguesa.

4-      Como podemos ajudar?
Promovendo a língua gestual portuguesa e a necessidade de toas as pessoas a aprenderem.

5-      Quais as diferentes dificuldades que encontram os surdos do litoral para com os do interior?
Os surdos que estão nas grandes cidades têm mais facilidade em aceder interpretação em língua gestual portuguesa.

6-      Tem novos projetos?
Ensino gratuito de língua gestual portuguesa para famílias com crianças surdas que possuam poucos recursos económicos.


7-      Deixe uma mensagem ou apelo.


quarta-feira, 2 de julho de 2014

Noiserv - Música/Solidariedade


1-      A solidariedade e a música, combinam?

 

Acredito que sim, a música é uma boa forma de unir as pessoas, por isso, se juntamente com ela se apoiar uma causa solidária, essa causa poderá ter mais visibilidade perante as pessoas.

 

2-      Qual a importância da música nas campanhas de solidariedade?

 

Respondi a esta questão na anterior, :)!

 

3-      Lembra-se da música “We are the World”? Traz-lhe alguma recordação?

 

Lembro-me muito bem. Por ser muito novo na altura não me apercebi do objectivo solidário da música e apenas via uma serie de músicos a partilharem talento e criatividade numa mesma canção. Hoje em dia percebo que o objectivo era outro, e que realmente foi algo muito bem feito.

 

4-      Participa ativamente em alguma campanha?

 

Não estou activamente ligado a nenhuma campanha, mas sempre que posso colaboro em eventos pontuais de solidariedade.

 

5-      Os festivais já começaram, raros são os festivais que estão ligados a alguma causa social, normalmente ligam-se a causas ambientais. Somos um povo que só faz concertos solidários depois da tragédia? Encontra alguma razão para não se realizar nenhum festival inteiramente solidário?

 

Nunca é demais o que se faz, mas a verdade é que vão existindo alguns festivais puramente solidários. Agora num pais com tantas dificuldades pode às vezes ser dificil decidir qual a causa a apoiar e por isso é mais gritante, quando uma tragéria acontece, a urgência de ajudar.

 

6-      Quer deixar alguma mensagem?

 

Uma mensagem de parabéns para vocês pela iniciativa e uma certeza de que em tudo o que eu possa ajudar com a minha música lá estarei.

sábado, 8 de março de 2014

Carla Baptista (Assistente Social) – Núcleo de Atendimento às Vitimas de Violência Doméstica do Distrito de Portalegre.





 

 

 

 

 

 


Qual é a importância do NAVVD e que trabalho você desenvolve?

               

O NAVVD de Portalegre faz parte da Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica coordenada pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG), da qual fazem parte os Núcleos e Centros de Atendimento, e as Casas Abrigo.

 

O nosso serviço é um entre dez núcleos, e surgiu da premente necessidade de criar estruturas de atendimento e apoio às Vítimas de Violência Doméstica por todos os distritos do nosso país. Em janeiro de 2009, e tendo em conta que o nosso distrito era desprovido de respostas especializadas nesta área, o NAVVD iniciou a sua atividade, tendo a Delegação de Portalegre da Cruz Vermelha Portuguesa abraçado este projeto desde o seu início. Ao longo destes cinco anos de trabalho temos o privilégio de contar com a colaboração de onze instituições locais, às quais quero agradecer todo o empenho e parceria, sem vocês este caminho teria com certeza sido mais difícil!

 

O NAVVD disponibiliza um atendimento personalizado, gratuito e confidencial direto às Vítimas de Violência Doméstica ao nível Social, Psicológico, Aconselhamento Jurídico e Informação à Comunidade em Geral. Desde a sua criação o serviço é coordenado e assegurado por mim nas mais diversas atividades, e conto com a colaboração do Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental de Portalegre (CAFAP) com a cedência de uma Psicóloga e uma Jurista sempre que necessário, permitindo assim uma intervenção adequada e multidisciplinar nas situações. Atualmente, e perante o reconhecimento da escassez de recursos humanos nos núcleos, o Governo atribuiu uma subvenção destinada ao reforço da intervenção dos NAV’s, contando desta forma, desde há um ano, com uma psicóloga a tempo inteiro, tendo sido um apoio imprescindível, quer no apoio direto às Vítimas, quer na dinamização de ações de informação, sensibilização e prevenção sobre a problemática.

A intervenção que desenvolvemos baseia-se em 4 pilares essenciais, nomeadamente o acompanhamento social, psicológico e jurídico às Vítimas; colmatando necessidades básicas, tendo em conta a situação de perigo, e posterior apoio na construção de um projeto de vida; prestar apoio à comunidade em geral e a quem necessite de informações sobre Violência Doméstica e desenvolver de ações de sensibilização e prevenção relacionadas com a temática. A par da maior parte das instituições, também o NAVVD tem constrangimentos a nível financeiro e de recursos humanos e materiais, sendo assim privilegiadas as áreas de intervenção direta com as Vítimas.

 

O trabalho que temos vindo a desenvolver no distrito tem permitido dar visibilidade e promover o debate sobre a problemática, colocando esta questão na agenda das instituições do nosso distrito, envolvendo-os no combate a este flagelo, bem como apoiar os técnicos na intervenção e procedimentos a adotar perante uma Vítima ou o conhecimento de um caso.

 

Na sequência da resposta à primeira questão quero aproveitar a oportunidade para esclarecer o que são as Casas Abrigos e desconstruir alguns mitos existentes…

 

Estas são estruturas de acolhimento para Vítimas de Violência Doméstica e seus filhos menores que se encontrem numa situação de risco grave para a sua integridade física ou risco de vida e que necessitam de proteção. As Casas Abrigo não devem ser utilizadas como resposta para situações em que haja insuficiência económica e que não existe real necessidade de proteção pelo perigo existente, pois estas instituições têm na generalidade a sua capacidade esgotada, e não devemos camuflar o objetivo principal da sua existência. Esta será uma solução que deverá apenas ser equacionada depois de esgotadas todas as alternativas disponíveis, quer de autonomização pelos próprios meios ou mobilizando os recursos da comunidade, quer de integração em rede familiar ou de amigos que possa garantir a segurança necessária ao núcleo familiar.

 

Perante a necessidade de encaminhamento para estas instituições deverá recorrer a uma estrutura de atendimento para a avaliação da sua situação e concretização desse acolhimento, sendo que para garantir a sua segurança a localização destas casas é confidencial.

Na minha opinião uma instituição é sempre uma instituição! Não é fácil deixarmos “tudo para trás”, o nosso trabalho, a nossa terra, as nossas coisas, mudarmos os nossos filhos de escola, ele deixar os amiguinhos …mas se não conseguirmos sobreviver a estas situações todos estes receios não nos valem de muito…e não acontece apenas aos outros! Temos que pensar que será uma solução temporária para conseguirmos organizar e estabelecer o nosso projeto de vida, que muitas vezes passa por regressar às nossas origens.

 

 

No dia em que as mulheres celebram o dia da mulher, acha que ainda há muito a fazer para mudar a mentalidade do Homem?

No meu ponto de vista acho que há muito a fazer para mudar a mentalidade do Homem, mas também há muito que fazer para mudar a mentalidade da Mulher. Acho que já muito foi feito para alcançar a igualdade entre os géneros, no entanto a mudança de mentalidades é um processo social que demora várias décadas a ser consolidado. Claramente existem diferenças entre Homens e Mulheres, começando pela característica física com que nascemos, nomeadamente o sexo, no entanto estas diferenças não têm que ser sinónimo de desigualdade, mas sim que a Mulher e o Homem se respeitem enquanto tal e partilhem os seus mundos sem mitos, estereótipos e preconceitos,

Analisando o nosso quotidiano existem alguns exemplos práticos que nos devem dar que pensar….por um lado o Homem não faz limpeza em casa, não passa a ferro, não cozinha, não estende a roupa, porque é tarefa de Mulher (mentalidade de Homem), mas muitas vezes somos nós Mulheres que dizemos “deixa estar”, ou porque nós fazemos melhor, ou porque eles demoram muito tempo, ou simplesmente porque também admitimos que também não é tarefa para eles. Outra situação que para mim elucida bem esta situação é quando nós Mulheres chegamos a casa, depois de um dia de trabalho e de ter ido buscar os miúdos à escola, e ainda passamos a ferro, fazemos o jantar, deitamos os miúdos, lavamos a loiça, arrumamos a cozinha, vamos despejar o lixo, ninguém nos diz obrigada porque é uma obrigação nossa, no entanto quando os Homens fazem alguma destas tarefas nós agradecemos! Acho que devemos refletir…

 

Em relação a esta matéria acha que o Distrito de Portalegre se encontra no século XXI?

                A par da panorâmica nacional e tendo em conta que o distrito de Portalegre é um dos que apresenta o número mais baixo relativamente às denúncias pela prática do crime de violência doméstica, acho que poderemos estar no século XXII. Será que estes são os números reais? Sabemos que não.

Portugal, a Europa e o Mundo encontram-se no século XXI? Sabendo que a violência é um fenómeno transversal, independentemente da cultura, da etnia, da religião, do estrato social e económico, pergunto eu: o Mundo estará em que século?

 

Qual a maior dificuldade que encontra para desenvolver o seu trabalho?

Neste tipo de trabalho é fácil depararmo-nos com várias dificuldades, seja a nível da intervenção direta com as vítimas seja a nível institucional. É comum as mulheres e homens vítimas de violência doméstica apresentarem vários retrocessos ao longo da intervenção, o que pode acarretar para o técnico alguma frustração no seu trabalho. Com o tempo, vai-se compreendendo que estes recuos são caraterísticas inerentes ao próprio processo de vitimização.

Talvez mais difícil seja ultrapassar os inúmeros obstáculos institucionais ainda existentes. A Violência Doméstica é uma problemática rodeada de mitos que prejudicam a intervenção dos próprios serviços. É frequente encontrarmos técnicos ainda muito resistentes na forma de atuação perante uma situação de Violência Doméstica, quer por desconhecimento a nível legislativo ou por formação insuficiente, quer por minimização das situações.

 

A condição socioeconómica é a única razão que existe para a agressão ou mau trato?

                Dificilmente a Violência Doméstica é explicada apenas por uma única razão, seja ela qual for. Na verdade, esta problemática surge por uma conjugação de fatores de vária ordem, tendo cada uma deles um impacto diferente consoante cada pessoa, cada situação. Além disso, a Violência Doméstica, como já referi, é um problema transversal aos vários estratos socioeconómicos, ainda que tenha maior visibilidade nas classes sociais mais desfavorecidas, uma vez que nos níveis superiores existem outros mecanismos de ocultação destas situações.

 

Sente que o seu trabalho é eficaz?

A eficácia deste trabalho nem sempre é fácil de medir pelas próprias caraterísticas da problemática. Ainda assim, ao longo destes 5 anos temos tido várias situações de sucesso, em que, com o apoio do NAVVD, entre outros, as vítimas conseguem abandonar o contexto violento e iniciar a construção de uma nova vida. Pela importância que este trabalho tem nas vidas das pessoas, se a vida de uma única pessoa se alterar para melhor, já é o suficiente para ser considerado eficaz.

 

Já teve medo? Quando?

                Sim. No entanto, este medo não acontece aquando da necessidade de intervenção direta e urgente nas situações, pois as emoções embora controladas são bastante intensas, e o sentimento de que temos que fazer alguma coisa para ajudar e apoiar aquela pessoa é constante. Paralelamente, nestas situações, e apesar da pressão, existem muitas variáveis que têm que ser equacionadas de forma a agir com cautela e ponderação, tendo que considerar a proteção de todos os intervenientes. Tenho assim que salientar o importante papel das forças de segurança na cooperação estabelecida neste tipo de situações. Talvez por este trabalho possuir esta componente de risco o torna tão estimulante.

 

Como deve ser feita a denúncia?

                A denúncia pode ser feita junto de uma esquadra da PSP, posto de GNR, Ministério Público, Instituto de Medicina Legal ou Polícia Judiciária, devendo ser solicitado o comprovativo de queixa e o estatuto de Vítima se atribuído. Qualquer pessoa pode efetuar uma denúncia de Violência Doméstica, uma vez que este é já considerado um crime público (Lei nº 7/2000, de 27 de Maio). Existe um prazo de 6 meses para ser efetuada denúncia desde o momento da ocorrência dos factos.

 

Depois do primeiro contato com a vitima, como se desenvolve o processo de ajuda?

                Um processo tem o seu início com uma sinalização, podendo esta ser efetuada por qualquer pessoa, de forma anónima ou não, ou pelos vários serviços da comunidade. A intervenção inicia-se com a obtenção do consentimento informado da Vítima, decorrendo sempre de forma voluntária e desenvolvendo-se em três fases distintas. Numa primeira fase de intervenção é feita a avaliação da situação, sendo identificado as necessidades básicas e posteriores encaminhamentos para as respostas mais adequadas, indo desde a alimentação ao acolhimento de emergência e posterior inserção em rede familiar/amigos ou em Casa Abrigo, podendo estas diligências implicar o acompanhamento Técnico. O processo poderá cessar por vontade própria da Vítima ou por conclusão do plano de intervenção.

 

 

Durante quanto tempo acompanha a vítima?

A intervenção é delineada tendo em conta a especificidade de cada pessoa e necessidades diagnosticadas, portanto o tempo de acompanhamento é variável e dependente de vários fatores. Existem situações que apenas num atendimento são colmatadas as necessidades identificadas, como prestar algum esclarecimento ou informação, mas por outro lado existem pessoas que estão em acompanhamento a alguns anos.

 

Que mensagem deixa às mulheres que ainda não tiveram coragem de contactar o Núcleo?

Para além de coisas que já são do conhecimento de todos/as nós, que devemos abandonar a relação violenta, devemos apresentar queixa, devemos procurar ajuda especializada…tudo isto é muito importante mas gostaria de deixar uma mensagem diferente e fazer-nos refletir.

 

Já pensou que muitas vezes abdica de cuidar de si para dar atenção aos outros e viver a vida desses outros? Já reparou que são várias as alturas em que se coloca em segundo plano? E você, onde fica no meio disto tudo?

Cada vez mais devemos dar importância à relação que temos connosco próprios, pois ajuda-nos a viver melhor com as nossas emoções e experiências. Como se costuma dizer “primeiro tenho que gostar de mim para os outros gostarem”. Tendo em conta algumas investigações e perspetivas teóricas referem que cuidarmos melhor de nós permite-nos estabelecer relações mais positivas com os outros, ter maior qualidade e satisfação com a vida, e lidarmos melhor com o impacto que certos acontecimentos negativos têm em nós.

 

Neste seguimento, e a par da atividade que o NAVVD está a realizar para a Comemoração do Dia Internacional da Mulher com a distribuição de crachás e pulseiras por alguns restaurantes e bares da cidade, deixamos uma última mensagem: devemos amar-nos para sermos amados, aceitar-nos para nos aceitarem, valorizar-nos para nos valorizarem e respeitar-nos para que nos possam respeitar…


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Obrigada a todos.

Até breve.

 

Poderá contactar-nos através do telefone 245 366 077 ou 963 043 719 e agendar um atendimento, respeitando a sua disponibilidade, para obter informação, esclarecimento e/ou acompanhamento que considere necessário.